Indústria financia estudos que minimizam a relação entre refrigerantes e obesidade

Um levantamento realizado pela Universidade da Califórnia (EUA) apontou que a indústria de bebidas vem financiando pesquisas que omitem a relação entre o consumo de refrigerantes e doenças como diabetes e obesidade.

Foram analisados 60 estudos publicados entre 2001 e 2016. Destes, 56,7% (34) apontavam que os refrigerantes poderiam causar obesidade e diabetes. Outros 43,3% (26) não chegavam à relação e todos eles haviam sido feitos com recursos de fabricantes de refrigerantes.

A análise realizada pela equipe do médico americano Dean Schillinger foi publicada na revista médica americana Annals of Internal Medicine, após o médico ser chamado pela cidade de San Francisco (EUA) para compilar evidências científicas de que bebidas açucaradas prejudicam a saúde, embasando a decisão do estado de exigir que os anúncios de refrigerantes possuíssem alertas sobre os possíveis males causados à saúde. A indústria de bebidas acionou a justiça, alegando desrespeito à liberdade de expressão.

No ano anterior, o jornal The New York Times já havia noticiado que a Coca-Cola pagava milhões de dólares para cientistas, nutricionistas e profissionais da saúde minimizassem a relação entre as bebidas açucaradas e obesidade em seus estudos e redes sociais. O escândalo levou a marca a anunciar que se afastaria do financiamento de especialistas em saúde e de pesquisas sobre obesidade.

Países como Estados Unidos e México, Reino Unido, Bélgica, França e Hungria, além de países escandinavos, já adotaram alguma forma de taxação sobre bebidas com adição de açúcar para reduzir o consumo, modelos que tem chamado atenção do mundo inteiro.

 

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